ONU quer acabar com tráfico de drogas na deep web
O pedido foi endossado pelo Departamento de Drogas e Criminalidade do órgão em relatório publicado na última quinta-feira, 24.

A Organização das Nações Unidas (ONU) está pedindo por métodos mais eficientes para eliminar o tráfico de drogas na deep web, a parte da internet que não é encontrada pelos buscadores convencionais, como o Google. O pedido foi endossado pelo Departamento de Drogas e Criminalidade do órgão em relatório publicado na última quinta-feira, 24.

De acordo com o documento, “as autoridades e o sistema criminal judiciário de vários países não estão em posição de combater de forma eficaz o comércio online anônimo que existe na deep web”.  Vale lembrar que muitos sites desta parte mais obscura da internet estão protocolados sob a rede .onion e, por isso, não podem ser acessados por navegadores específicos. No caso, o Tor Browser.

Esse software foi desenvolvido para propiciar o acesso de usuários aos sites da rede Tor (The Onion Reuter) criada décadas atrás e que abriga páginas de todo o tipo. Por possuir mecanismos que mascaram a identidade dos usuários e garantem o anonimato, a rede é comumente utilizada por criminosos, principalmente traficantes de drogas.

Para se ter uma ideia mais clara, o Silk Road, o maior site de drogas da história funcionava nesta rede e movimentou US$ 1 bilhão nos poucos anos em que esteve ativo. A página foi fechada em 2013 mediante uma investigação policial que conseguiu encontrar os servidores físicos do site e, assim, parar o funcionamento do portal.

Além da ONU, a Europol, serviço europeu de policiamento, também mostra interesse em acabar com o tráfico de drogas na rede. Em relatório de 2014, a agência afirma que “as autoridades devem gerar capacidades técnicas de forma a dar suporta às investigações técnicas de suspeitos utilizando a deep web”.

A declaração, no entanto, não é muito clara ao se referir especificamente às “capacidades técnicas”. O que se recorda é que o FBI, por exemplo, passou a usar soluções mais avançadas em termos de informática – e mais agressivas – para conseguir identificar criminosos cibernéticos.

Vale lembrar que o departamento policial não pode se valer de técnicas ilegais (como hackear uma empresa) para conseguir informações, já que elas não poderão ser usadas em julgamento.

Investigação sem fronteiras

Outro ponto destacado pelo relatório da ONU comenta o fato dos problemas de jurisdição responsável. Um órgão norte-americano não tem permissão para tratar casos que acontecem em outros países. Como os endereços físicos dos usuários são mascarados, os investigadores nunca têm plena certeza de onde o suspeito está agindo.

Por esse motivo, pesquisadores afirmam que a fiscalização das camadas ocultas dos navegadores acaba levantando questões de soberania nacional delicadas.

Criptografia quebrada

Outro assunto comentado e debatido pelas Nações Unidas foi na questão da criptografia de aparelhos telefônicos e computadores de criminosos. O órgão entende que os suspeitos têm o dever de quebrar a criptografia dos aparelhos para facilitar o trabalho dos investigadores.

A princípio isso poderia ser interpretado como um ato de “produzir provas contra você mesmo”. Contudo, a organização entende que o método seria eficiente para evitar crimes futuros e ainda citou o caso do iPhone de San Bernardino.

“O fornecimento de assistência técnica e capacitação de Estados Membros a coletar e usar evidências digitais é essencial para lidar com a ameaça imposta pelo tráfico de drogas via internet”, concluí o relatório.

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